Notícias do PET-EF

PET EF no Facebook

Visitas

Bem vindo
Visitante

Já existem:



1 usuário(s) online (1 usuário(s) navegando na seção: Textos)

Usuários: 0
Visitantes: 1

mais...
Textos > Artigos > ROCHA, B. P., LEPAUS, A. B., LORETE, J. C., FERREIRA, L. N., BARCELOS, M., MACHADO, M. F., SILVA, O. G. T., SCHNEIDER, O., GRAMILICH, S. R., FERREIRA, T. M. A., MACHADO, W. B. Colônia de férias do PET-CEFD: experiências educativas. In: IV Congresso Sudeste de Ciências do Esporte / XII Congresso Espirito Santense de Educação Física, 2012, Vitória. Educação Física, Identidade e Campo de Atuação. Rio de Janeiro: CBCE, 2012. v.1. p.1 - 8

ROCHA, B. P., LEPAUS, A. B., LORETE, J. C., FERREIRA, L. N., BARCELOS, M., MACHADO, M. F., SILVA, O. G. T., SCHNEIDER, O., GRAMILICH, S. R., FERREIRA, T. M. A., MACHADO, W. B. Colônia de férias do PET-CEFD: experiências educativas. In: IV Congresso Sudeste de Ciências do Esporte / XII Congresso Espirito Santense de Educação Física, 2012, Vitória. Educação Física, Identidade e Campo de Atuação. Rio de Janeiro: CBCE, 2012. v.1. p.1 - 8



COLÔNIA DE FÉRIAS DO PET-CEFD: EXPERIÊNCIAS EDUCATIVAS

 

Amanda Barcelos Lepaus

Beatriz Peterle da Rocha

Juliana Canuto Lorete

Lorena Nascimento Ferreira

Marciel Marciel Barcelos

Mariana França Machado

Omar Schneider

Otávio Guimarães Tavares da Silva

Sabrinny Gramilich Rufino

Thayse Mayan Alarcón Ferreira

Wérliton Benincá Machado

 

Resumo: o relato pretende apresentar as experiências acumuladas pelo Programa de Educação Tutorial, do Centro de Educação Física e Desportos, da Universidade Federal do Espírito Santo, em relação ao desenvolvimento do projeto de extensão Colônia de Férias. Esse projeto vem sendo desenvolvido, desde o ano de 2008, envolve os alunos do ensino fundamental, professores em formação dos cursos de Educação Física (bacharelado e licenciatura), e demais cursos da UFES. Concluímos que as atividades realizadas como oficinas, nas Colônias de Férias, constituem-se como experiências capazes de potencializar os saberes que cada estudante possui e acumulou durante sua formação.

 

Palavras-chave: Colônia de férias. Educação Física. Experiências educativas.

 

Introdução

 

O texto objetiva apresentar as experiências acumuladas pelo Programa de Educação Tutorial do Centro de Educação Física e Desportos (PET-CEFD) em relação a um projeto de extensão de Colônia de Férias que vem sendo desenvolvido, desde o ano de 2008, na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES).

 

O projeto de extensão de Colônia de Férias vem sendo realizado anualmente e já se encontra em sua quarta edição. Ele é voltado para crianças de 06 a 12 anos de idade e que estejam residindo nos bairros adjacentes à UFES.

 

O projeto de Colônia de Férias durante o seu período de realização vem atraindo tanto alunos do ensino fundamental, quanto alunos graduandos dos cursos oferecidos pela UFES que se envolvem nas atividades como professores em processo de formação. Esse modelo proposto pelo PET-CEFD difere-se muito dos projetos de Colônia de Férias que historicamente vem sendo desenvolvidos no Brasil.

 

As colônias de férias também já foram chamadas de colônias de repouso.[1] Esse modelo surgiu com o intuito de proporcionar o descanso para os trabalhadores durante suas férias, depois de um exaustivo ano de trabalho. Elas aconteciam normalmente em pousadas localizadas na região de montanhas, mas também eram realizadas em locais próximos ao mar, longe de grandes centros urbanos, de forma a proporcionar repouso total ao trabalhador. As colônias de férias eram voltadas para pessoas de ambos os sexos e famílias, a única restrição exigida era não possuir nenhum tipo de doenças infecto contagiosas.

 

No início do século XX surgiram, também, as colônias educacionais, as quais eram voltadas para crianças e jovens, sem diferenciação de classe social, onde as crianças de seis a dez anos ficavam nas colônias infantis e acima dessa idade – a partir de 11 anos – eram submetidos às colônias de adolescentes, com atividades diferentes das colônias infantis. Essas colônias tinham finalidade educacional, logo suas atividades eram voltadas para se combater o analfabetismo, ensinar e adquirir hábitos de higiene. As crianças e adolescentes frequentavam essas colônias com o intuito de não ficar com o tempo ocioso.

 

Em revistas sobre educação e Educação Física[2] que circularam entre os anos de 1930 e 1940 é possível localizar informações sobre o desenvolvimento dessa prática educativa. Naquele momento, como não poderia deixar de ser, a discussão realizada sobre as Colônias de Férias estava intimamente direcionada para a resolução dos problemas de saúde. As atividades realizadas tinham o discurso médico como fundamento e acreditavam que as atividades recreativas deveriam ter um caráter higiênico, sanitário e patriótico. Desse modo, as práticas recreativas oferecidas buscavam restituir aos participantes as energias despendidas durante o período letivo para devolvê-las com a saúde revigorada à sociedade.

 

Para garantir que as atividades realizadas efetivamente tivessem seus efeitos nos participantes investia-se na alimentação dos estudantes e em instrumentos que pudessem controlar a saúde dos mesmos, como fichas de avaliação e controle de peso adquirido ou perdido durante o período de participação na colônia.

 

O que se percebe ao ler os textos, que buscavam relatar as experiências sobre o desenvolvimento das colônias de férias, é que as atividades eram ministradas por militares e supervisionadas por pessoas ligadas à área médica como os próprios médicos e as educadoras sanitárias.

 

Os saberes que determinavam as práticas que deveriam ser ofertadas provinham da instituição militar e médica e tinham relação com contexto político vivenciado nas quatro primeiras décadas do século XX no Brasil. Nas décadas seguintes, com a críticas aos modelos estabelecidos anteriormente existe um investimento na realização das colônias de férias tendo como fundamento as práticas de lazer, situação evidenciada por Lazzarotti Filho et all (2000) sobre a forma como as atividades eram empregadas. Segundo o autor como função compensatória em que não havia práticas educativas, mas interesse em resguardar a segurança social das crianças e válvula de escape das situações de risco em que as crianças e adolescentes poderiam estar submetidas. Outra questão recai sobre as possibilidades de diminuição da presença de meninos e meninas nas ruas das cidades, as quais o poder público buscava, segundo o autor, esconder.

 

O projeto de extensão desenvolvido pelo PET-CEFD assume como possibilidade de trabalho outro caminho teórico e metodológico, tanto em função do público atendido, como alunos ou professores em formação, quanto às especificidades dos objetivos estabelecidos para o programa, que serão apresentados mais a frente. A seguir buscaremos relatar o modelo adotado pelo PET-CEFD na condução do projeto de extensão Colônia de Férias durante as quatro edições que já foram realizadas.

 

Colônia de férias do PET-CEFD: relato de experiências

 

A ideia de realizar o projeto surgiu de uma visita do grupo PET-CEFD à PUC CAMPINAS no ano de 2008, onde os alunos desta promoviam atividades recreativas para os filhos de funcionários dessa mesma faculdade. A partir deste contato o grupo PET-CEFD iniciou a colônia de férias visando o resgate de atividades de extensão que pudessem atender aos alunos da escola experimental da UFES.  Neste período a colônia funcionava de forma diferente da atual, era realizada em apenas dois dias, para crianças de 7 a 13 anos de idade no período de 08h00 às 16h00, atendendo aproximadamente 50 crianças. Nessa época as oficinas eram ministradas pelos próprios bolsistas do PET-CEFD, com o apoio de alunos do curso de Educação Física - Bacharel.


O primeiro ano de colônia de férias teve avaliações positivas dos pais, crianças, voluntários e bolsistas. Nesse sentido, percebeu-se a necessidade de dar continuidade à ideia, realizando atividades extracurriculares, recreativas e culturais em períodos de férias.


O objetivo geral da colônia é proporcionar aos seus participantes a ampliação de suas experiências, conhecimentos e saberes a partir de suas potencialidades, por meio de atividades que promovam a integração, a socialização e o desenvolvimento cognitivo e motor dessas crianças, de forma prazerosa e lúdica. Além do incentivo a prática de atividades físicas através de jogos e brincadeiras, a fim de desenvolver atividades que fomentem um sentimento de identidade e integração entre os participantes.


Enquanto os objetivos específicos, voltados aos bolsitas PET-CEFD, voluntários e oficineiros, buscam possibilitar a vivencia da docência durante as oficinas e experimentar o exercício organizacional de uma colônia de férias, com o intuito de ressignificar o tempo de férias escolares com momentos de prazer e alegria, por meio de novas referências e possibilidades lúdicas, incentivando as crianças a compreenderem e a respeitarem opiniões e pontos de vista diversos, como também as diferenças culturais e pessoais que possuem.


Dessa forma, com o sucesso da colônia nos últimos quatro anos, houve um aumento quantitativo de crianças com interesse em participar, com isso o projeto sofreu algumas alterações, tais como: o aumento da quantidade de crianças passando de 50 para 75 participantes, com idades entre 6 e 12 anos,  contemplando as crianças pertencentes aos bairros próximos à UFES, aumentamos  o tempo de duração da colônia, passando de dois para três dias, acrescentando outras atividades, além de expandirmos a participação de voluntários e oficineiros de outros cursos da UFES. Vale ressaltar, que para não prejudicar a qualidade do evento, restringimos o numero de crianças, em função da capacidade do espaço físico e a quantidade de voluntários e oficineiros.


Para a organização da colônia e o desenvolvimento do projeto, foram definidas as seguintes comissões: comissão de divulgação, comissão de relações com a graduação, comissão de programação e comissão de materiais, além de cada edição possuir um petiano como coordenador geral.


Metodologicamente, após a divisão das comissões se começa o processo de seleção das oficinas e dos voluntários. Os candidatos a oficineiros produzem um plano de atividades de acordo com a faixa etária das crianças e que devem ser executadas em uma hora (horário de duração da oficina).


As crianças são divididas por idades, sendo feitos/criados três grupos, de 6-8, 8-10, 10-12 anos. As oficinas ofertadas, como: dança, ginástica, paint ball, jogos aquáticos, futebol, conta contos, produção de mascaras, judô, e muay-thay,  são distribuídas de forma que todos os grupos (de 20 a 25 crianças em cada ) possam vivenciá-las  durante os três dias.  Nos intervalos das oficinas, ocorrem lanches, almoço no restaurante universitário, oportunizando momentos de interação entre os três grupos.


No ultimo dia de colônia de ferias realizamos uma gincana, redistribuindo as crianças em cinco grupos, considerando todas as idades, as atividades promovidas durante a gincana tem o objetivo de integrar ao Maximo as crianças, na qual são criados gritos de guerra, cartazes, e são realizadas diversas brincadeiras populares, onde todas as equipes ganham prêmios simbólicos de participação.  Com o objetivo de finalizar o evento, promovemos uma confraternização, com todos os participantes da colônia, na qual todos os pais se mobilizam, trazendo pratos variados.


Durante todos os dias de colônia a equipe de registro ficou a cargo de fotografar, filmar e coletar opiniões sobre as atividades da Colônia de Férias da UFES relatadas pelas crianças, monitores e pais. A partir desse material conseguimos compreender a importância da Colônia de Férias para todos os participantes, através de inúmeras narrativas, como as seguintes:


“Gostei muito, pois a colônia está bem organizada e me sinto seguro deixando meu filho aqui” (Pai de criança participante).

“Gostei porque brinquei muito e os tios são muitos legais” (Criança equipe de 10-12).

“Essa experiência é muito importante para a minha formação, pois pela primeira vez estive em contato com as crianças numa perspectiva de professor-aluno” (Monitor de oficina).

“Foi válido ser voluntário, pois pude observar todas as oficinas, além de perceber o funcionamento das atividades realizadas. Quem sabe no próximo ano não realizo uma oficina?” (voluntário).


Essas narrativas demonstram a satisfação dos envolvidos na colônia e só afirmam a necessidade da continuidade do projeto de extensão, realizado pelo PET-CEFD, uma vez que as diretrizes que fundamentam as atividades de intervenção dos grupos PET preveem que suas ações devem se pautadas pela ideia de uma formação global que devem ser direcionadas, tanto para os bolsistas, como para proporcionar uma melhor formação dos alunos do curso em que um grupo é formado.


Desse modo, o projeto de extensão Colônia de Férias desenvolvido pelo PET-CEFD procura oportunizar aos alunos da graduação em Educação Física (licenciatura e bacharelado) e demais envolvidos a capacidade de trabalho em equipe, facilitando a compreensão das características e dinâmicas individuais, bem como a percepção da responsabilidade coletiva e do compromisso social. Esses são saberes muito valorizados na contemporaneidade e que devem ser desenvolvidos durante a formação dos professores. O modelo de colônia de férias organizada pelo PET-CEFD trabalha para que essas características sejam disseminadas. O que significa a ampliação da perspectiva educacional, uma vez que os professores em formação deixam a qualidade de alunos e passas a atuar como docentes, ressignificando suas práticas e experiências sóciocorporais relacionadas ao esporte, à dança aos jogos e à cultura popular.

 

 

Conclusão


Como podemos perceber, diferente das colônias de repouso e educacionais ofertadas por médicos e militares, que eram voltadas principalmente para a higienização e promoção da saúde dos participantes, a colônia proposta pelo PET-CEFD, busca muito mais que a ampliação das experiências, conhecimentos e saberes, por meio de atividades que possam promovem a integração, a socialização e o desenvolvimento cognitivo e motor das crianças, de forma prazerosa e lúdica. A colônia de férias é projetada como um meio eficaz para que os alunos dos cursos de Educação Física possam aplicar as aprendizagens que vem sendo realizadas em sua formação e para que vivenciem a docência nas oficinas que eles desenvolvem.


Com base nas discussões realizadas neste artigo concluímos que as atividades realizadas como oficinas, nas Colônias de Férias, constituem-se como experiências capazes de potencializar os saberes que cada estudante possui e acumula durante a sua formação.

 

REFERÊNCIAS

 

LAZZAROTTI FILHO, Ari et al. IV Colônia de férias – FEF-UFG/FUMDEC. Pensar a Prática – Revista da Pós-graduação em Educação Física Escolar, Goiás, v. 3, [s. n.], p. 111-120, jul./jun. 1999/2000.

 

STOPPA, Edmur Antonio. Lazer nos acampamentos de férias: uma análise da ação dos animadores sócio-culturais. Licere - Revista do Centro de Lazer e Recreação/EEF/UFMG, Belo Horizonte, v. 2, n. 1, p. 193-194, [s. m.] 1999.

 

RIBEIRO, Claudionor. Colônias de férias. Revista de Educação, Vitória, anno 3, n. 22, p. 1-3, mar. 1936.

 

RIBEIRO, Mario Bossois. As colônias de férias e o serviço médico do Espírito Santo. Revista de Educação, Vitória, anno 3, n. 25, p. 13-19, set./dez. 1936.



[1] Segundo Ribeiro (1936) as colônias de férias surgiram na Suíça e rapidamente foram disseminadas pela Europa, pois se entendia que poderiam exercer um forte resultado na defesa social.

[2] Revista de Educação Física (do Exército) (1931-2012), revista Educação Phyisca (1931-1945) e Revista de Educação (do Espírito Santo) (1934-1937).



 

Programa de Educação Tutorial Física Física (CEFD-UFES)

Navegue pelos artigos
Prévia do artigo DAMASCENO,L.G., SILVA,O.G.T, VILETE,A.O.P., ROCHA,B.P., THOMPSON,D.R., SILVA,E.V., LORETE,J.C., ASSIS,L.C., FERREIRA,L.N., BARCELOS,M., MACHADO,M.F.,GONÇALVES,M.G.S., VALÉRIO,Q.B.S., FERREIRA,T.M.A. Uma metodologia diferenciada para o ensino dos esportes coletivos de quadra para crianças. In: XI Congresso Espírito-Santense de Educação Física, 2011, Vitória - ES. XI Congresso Espírito-Santense de Educação Física, 2011. SCHNEIDER, O; LEPAUS, A. B; LORETE, J. C; BARCELOS, M; RUFINO, S. G; MACHADO, W. B; ALMEIDA, T. L; ALARCON, T. M. Experiencias educativas do Petef: a colonia de ferias como pratica de ensino. XVIII Congresso Brasileiro de Ciências do Esporte. Identidade da Educação Física e ciências dos esportes em tempos de megaeventos. Brasilia, DF, CONBRACE. 2013. (Apresentação de Trabalho) Próximo artigo
avaliação 0.00/5
avaliação: 0.0/5 (0 votos)
Os votos estão desabilitados!