Notícias do PET-EF

PET EF no Facebook

Visitas

Bem vindo
Visitante

Já existem:



2 usuário(s) online (1 usuário(s) navegando na seção: Textos)

Usuários: 0
Visitantes: 2

mais...
Textos > Artigos > SILVA, O. G. T. ; VILETE, A. O. P. ; ROCHA, B. P. ; THOMPSON, D. R. ; SILVA, E. V. ; LORETE, J. C. ; ASSIS, L. C. ; FERREIRA, L. N. ; BARCELOS, M. ; MACHADO, M. F. ; GONCALVES, M. G. S. ; VALERIO, Q. B. S. ; FERREIRA, T. M. A. . O ensino da Educação Física no contexto do EJA na Grande Vitória: um estudo exploratório. 2011. (Apresentação de Trabalho/Congresso).

SILVA, O. G. T. ; VILETE, A. O. P. ; ROCHA, B. P. ; THOMPSON, D. R. ; SILVA, E. V. ; LORETE, J. C. ; ASSIS, L. C. ; FERREIRA, L. N. ; BARCELOS, M. ; MACHADO, M. F. ; GONCALVES, M. G. S. ; VALERIO, Q. B. S. ; FERREIRA, T. M. A. . O ensino da Educação Física no contexto do EJA na Grande Vitória: um estudo exploratório. 2011. (Apresentação de Trabalho/Congresso).


O ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO CONTEXTO DO EJA NA GRANDE VITÓRIA: UM ESTUDO EXPLORATÓRIO

 

Aron Vilete

Donaldson Thompson

Eduardo Viganor

Juliana Canuto

Lorena Ferreira


Professores em formação e bolsistas do Programa de Educação Tutorial do Centro de Educação Física e Desportos da Universidade Federal do Espírito Santo

 

 

RESUMO

Este estudo tem como objetivo conhecer mais sobre a Educação de Jovens e Adultos (EJA) e as aulas de Educação Física nesse contexto, tratando do ambiente, das relações entre os sujeitos e as transformações que ocorrem sobre eles. Para isso, foi realizada uma pesquisa de caráter exploratório na Grande Vitória (ES) para que se pudesse desenvolver uma primeira aproximação com a realidade da EJA e da prática da Educação Física como componente curricular nessa modalidade de ensino, comparando os dados levantados com a literatura mapeada sobre o tema em questão.

PALAVRAS - CHAVE: Educação de Jovens e Adultos; Educação Física.

 

 

ABSTRACT

This study aims to know more about the Youth and Adults Education (EJA) and the Physical Education classes in this context, dealing with the environment, relations between subjects and the changes that occur on them. For this, we conducted an exploratory research in Vitória Urban Area (ES) so that it could develop a first approximation to the actual practices of adult education and physical education as a curriculum component in this mode of education, comparing the data obtained toward the literature on the topic.

keywords: Youth and Adults Education; Physical Education.

 

 

RESUMEN

Este estudio tiene como objetivo conocer más sobre la Educación de Jóvenes y Adultos (EJA) y las clases de Educación Física en este contexto, sobre el ambiente, las relaciones entre los sujetos y los cambios que se producen en ellos. Para ello, se realizó una investigación exploratoria en la Gran Vitória (ES) para que pueda desarrollar una primera aproximación a la práctica real de la educación de adultos y la educación física como un componente curricular en esta modalidad de la educación, comparando los datos obtenidos y un mapa de la literatura sobre el tema.

PALABRAS – CLAVE: Educación de Jóvenes y Adultos; Educación Física.

 

INTRODUÇÃO

 

Poucos são os estudos que abordam a Educação Física como componente curricular para a educação de jovens e adultos (EJA). O presente trabalho objetiva conhecer mais sobre este tema e os sujeitos envolvidos nesse processo, buscando uma compreensão de como se desenvolvem as aulas de Educação Física neste contexto e sua pertinência nessa modalidade de ensino.

 

A EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS COMO DIREITO

 

            O desenvolvimento político, econômico, cultural e social resultante do avanço tecnológico e da globalização inclui ou exclui o indivíduo da sociedade, pois muitas vezes alcançam pessoas com um nível básico de escolarização. A escrita também ocupa um lugar privilegiado na civilização atual, sendo seu domínio um bem primordial para a inclusão e exercício da cidadania.

            A sociedade brasileira diz-se democrática, contudo a realidade nos mostra outra face, onde não há condições iguais de acesso ao conhecimento, o que resulta em profundas desigualdades sociais. O fato é que temos um déficit histórico e social para com os segmentos populares, que tiveram negado o direito a escola pública de qualidade e condições igualitárias de vida.

            Por isso, observamos o surgimento de programas e ações escolares para essa camada desfavorecida[1] na tentativa de recuperar essa dívida social. A Constituição Federal Brasileira (1988) reza em seu texto que “educação é um direito de todos e de dever do estado e da família e deverá ser promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando a atingir o pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho” (art.205) e mais que o ensino deverá buscar a igualdade de condições para o acesso e permanência na escola. (art.206, I). De forma mais específica para os jovens e adultos, a Constituição, em seu artigo 208, Inciso I, cita como dever do Estado o “ensino fundamental obrigatório e gratuito, assegurada, inclusive, sua oferta gratuita para todos os que a ele não tiveram acesso na idade própria”.

            Neste sentido a EJA tem se destacado como política nacional que tem corroborado para a inclusão social, novas formas de conhecimento, aproximação do mundo do trabalho e para os novos processos de produção.

            Para Picawy e Wandscheer (2006), a EJA busca reparar o direito à escola de qualidade, o reconhecimento e igualdade do ser humano na sociedade, contribuindo na erradicação do analfabetismo, na universalização do atendimento escolar, na melhoria da qualidade de ensino e na formação para o trabalho.

Também a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB 9394/96) preocupa-se com a Educação de Jovens e Adultos, dizendo que o aluno deve ser o centro do processo de ensino e aprendizagem, apreciando as mais diversas formas para a construção do conhecimento, assim como os diferentes saberes e vivências do discente envolvido.

            O que percebemos é o desenvolvimento de ações no sentido de amenizar as desigualdades de cunho educacional em nosso país. Porém muito ainda há que se pensar quanto à inserção/reinserção de jovens e adultos nos processos educacionais.  

 

OS SUJEITOS da EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

 

            Os alunos da EJA são trabalhadores de faixa etária diversificada e que de alguma forma estão marginalizados pela sociedade. Enxergam na educação uma forma de qualificação para o mercado de trabalho e entre os mais novos uma forma de socialização.    A evasão escolar nessa modalidade alcança índices elevados devido a fatores como: necessidade de trabalhar, medo de fracassar ou ainda despreparo dos professores[2].

            Segundo Taveira (2000), os professores se sentem desmotivados em trabalhar com os alunos da EJA por acreditarem que estes possuem capacidade intelectual inferior em relação aos alunos matriculados no ensino regular, criando baixas expectativas sobre os mesmos. 

            A Educação Física nesta modalidade, diferente do ensino regular, não é disciplina obrigatória do currículo, porém não significa que tal disciplina não seja importante, pois:

 

Os sujeitos da EJA quando voltam à escola para aprender a ler e escrever trazem consigo diversas culturas que ficam impregnadas em seus corpos. A linguagem expressa pelo corpo informa sua identidade, seu modo de ser e agir. E é com essa diversidade que o ensino das práticas corporais deve dialogar para dar sentido à sua presença na EJA. Considerando a diversidade cultural e suas diferentes formas de manifestação, vemos no estudo das práticas corporais um abrangente e relevante campo de intervenção na EJA (CAMPOS; GOMES, 2007 p.03).

 

            Contudo, poucos são os estudos que procuram abordar a Educação de Jovens e Adultos como tema principal de discussão, principalmente aqueles que tratam do lugar das práticas corporais e da Educação Física nesse contexto educacional. Soma-se a isso a falta de disciplinas nos cursos de graduação em licenciatura que enfoquem como conteúdo essa modalidade de ensino. Diante dessa realidade, surgiu como interesse dos alunos do Programa de Educação Tutorial em Educação Física da Universidade Federal do Espírito Santo a necessidade de desenvolver um projeto onde a modalidade EJA pudesse ser estudada de forma mais específica.

 

Metodologia e características da pesquisa

 

            O projeto foi desenvolvido em dois momentos: o primeiro com reuniões semanais de estudos para discutir sobre a EJA, suas características, fundamentos e possibilidades de intervenção pedagógica, a partir da Educação Física. O segundo momento caracterizou-se por pesquisa de campo em quatro escolas da Grande Vitória que desenvolviam o ensino de jovens e adultos no período noturno, sendo justamente os dados dessa etapa do projeto a base de apresentação e análise a seguir.

            A escassez de dados sobre a EJA levou a uma pesquisa de caráter exploratório, onde as informações foram colhidas através de entrevistas semi-estruturadas com alunos do ensino noturno e professores de Educação Física, além de observações não participante nas aulas da disciplina mencionada, objetivando conhecer o contexto (espaço físico, materiais disponíveis e localização da escola), os sujeitos envolvidos (professores e alunos), e o desenvolvimento das aulas (RICHARDSON, 1999).

            As instituições pesquisadas serão denominadas A, B, C e D.

 

Dados encontrados

 

            A primeira escola aqui definida como escola A, apresentava boas condições de limpeza e de conservação de suas dependências, favorecendo os processos de ensino-aprendizado.

            Porém dois problemas chamaram à atenção: um diz respeito à acessibilidade no interior da escola, já que a mesma possui três andares e nenhuma rampa ou elevador para o deslocamento, o que pode interferir diretamente na EJA, caso tenha que receber alunos mais velhos. Além disso, a quadra possui espaço físico reduzido e uma iluminação que dificulta o andamento das aulas, o que prejudica as práticas corporais, principalmente na Educação de Jovens e Adultos, por acontecerem no horário noturno e dependerem diretamente de ambientes bem iluminados.

            Para as aulas de Educação Física, os materiais são escassos, sendo muitos deles comprados com recursos próprios da professora.

            A escola B também possuía boas condições de limpeza, porém a mobília apresentava visivelmente problemas de conservação devido ao tempo de uso.

            Em contrapartida, a escola dispunha de rampas de acesso para o deslocamento de cadeirantes e pessoas mais velhas em seu interior, além de uma variedade significativa de materiais para as práticas corporais nas aulas de Educação Física.

            A escola C caracterizava-se por ser um lugar organizado e limpo em todos os aspectos, com boas condições de acessibilidade. O local podia contar com duas quadras para as aulas de Educação Física e um número grande de materiais.

            De forma semelhante à escola C, organizavam-se os espaços da instituição aqui definida como escola D, porém contando com apenas uma quadra para as práticas corporais e um número reduzido de materiais.

            Quando o foco de análise passou a se dirigir mais especificamente às relações presentes na EJA, para as aulas de Educação Física nessa modalidade de ensino e aos sujeitos envolvidos nesse processo pedagógico, as observações se desenvolveram de forma interdependente com as entrevistas, de maneira que a última pudesse complementar aquilo que não era percebido nas observações, assim como a primeira ratificava o que era apontado nas entrevistas.

            A média de idade entre os alunos variava especificamente em relação a cada escola observada. Apesar da diferença de idade dos alunos ser encarado também como um fator positivo pela vasta quantidade de experiências ali presentes, pode-se constatar que a escola com alunos de faixas etárias muito diferentes tinham maior dificuldade no planejamento e aplicação dos conteúdos nas aulas de Educação Física, devido aos conflitos de interesses.

            Assim, a escola A era a que apresentava a maior discrepância em relação as idades, possuindo alunos que iam dos 20 aos 75 anos. Já a escola B concentrava alunos de faixas etárias mais próximas, em uma zona intermediária que oscilava entre os 30 e 40 anos de idade. As demais escolas (C e D) possuíam divergência relativamente pequena em relação à diferença de idade dos alunos.      

            Quanto às vestimentas, as quatro escolas se assemelhavam pela ausência de discentes vestidos adequadamente para as práticas corporais da Educação Física. Geralmente os mais novos usavam roupas informais (bermudas, camisetas e sandálias), enquanto os mais velhos vestiam roupas mais formais, porém usuais do dia a dia.             Apenas na escola A constatou-se a presença de alunos com uniformes de empresas, já que muitos se deslocavam diretamente do emprego para as aulas. Também somente na escola A o professor de Educação Física não vestia roupas relacionadas com a prática de atividades corporais.

As relações entre os sujeitos envolvidos diretamente nos processos de ensino-aprendizado (aluno-aluno e professor-aluno) também foram observadas. O que percebemos é que essas relações acontecem harmonicamente. Somente na escola A é que apareceram alguns conflitos de interesses, todos voltados para a questão dos conteúdos das aulas de Educação Física, já que é notório um interesse por atividades mais dinâmicas e práticas entre os alunos mais novos, enquanto os mais velhos mostram-se mais disponíveis para aulas teóricas ou menos dinâmicas. Desta forma, pode-se perceber que a homogeneidade, pelo menos na questão etária, é um dos fatores possíveis para o estabelecimento de uma boa relação entre os alunos.

            O que também chama a atenção nas observações e em algumas falas presentes nas entrevistas é a motivação que os professores sentem ao trabalhar com a modalidade EJA.

 

É mais fácil trabalhar com adultos do que com crianças, porque eles estão ali com o intuito de aprender e são mais compromissados. (professora da escola A)

 

É bom quando vemos os alunos se envolvendo com a aula, participando e principalmente se tornando crítico com relação ao assunto abordado e tomando consciência da importância daquele conteúdo, por exemplo, quando os alunos absorvem o conteúdo e aplicam no seu cotidiano. (professor da escola D)

 

            As observações também mostraram que a participação dos alunos na disciplina é alta. Casos isolados onde os discentes se ausentam das aulas estão relacionados na maioria das vezes pela vergonha em realizar a atividade, justificada na crença de não “cumprir” a tarefa da maneira correta, principalmente entre os mais velhos.

            Quando se analisam os objetivos, os conteúdos selecionados, e as falas dos sujeitos sobre as utilidades da disciplina, chega-se à conclusão que a presença da Educação Física na EJA em todas as escolas visitadas é legitimada de maneira mais forte como uma disciplina auxiliadora de outras matérias ou voltadas para a alfabetização. Poucos são os argumentos que justifiquem a importância dessa disciplina por si só.

 

                                          A Educação Física colabora de forma interdisciplinar no processo de alfabetização. (professora da escola A, sobre a utilidade da Educação Física)

 

                                          Ela, ela...na parte teórica ela é boa pra aprendizagem da gente, naquilo que a gente ta aprendendo no dia a dia. Até pra melhora da escrita né?! Então ela é muito importante, porque ela auxilia a gente naquilo que a gente necessita como o português, né, e etc. (aluno da escola A, reproduzindo o discurso da disciplina como auxiliadora de outras disciplinas)

 

A Educação Física no curso noturno tem como objetivo levar o aluno jovem e adulto a prática esportiva de forma lúdica acompanhada de atividades que estimulem o raciocínio e a concentração. (professor da escola C)

 

            Os demais argumentos que procuram dar conta da utilidade dessa disciplina como protagonista em si mesma são sempre mais tangíveis, numa espécie de valorização daquilo que é instrumental, voltados para a saúde e o lazer (como forma de amenizar o cansaço do aluno trabalhador), ou a socialização, sendo o primeiro argumento mais utilizado pelos sujeitos entre os três citados.

 

A Educação Física na EJA tem como utilidade a parte lúdica, relaxante. (professor da escola C, reforçando a idéia da Educação Física como lazer)

 

Uma outra possibilidade e que vejo que é de grande importância, seriam aulas com objetivos de socialização e integração, pois vemos alguns grupos de alunos sendo excluídos. (professor da escola D, reforçando a idéia da Educação Física como meio de socialização)

 

A Educação Física é importante demais pra saúde. Em especial pra gente que tá hoje... a minha idade em especial eu que tô hoje com 41 anos, é uma fase que eu preciso tá atento a esse lado por causa da saúde, do lado sedentário. (aluno da escola A)

 

            Assim, os conteúdos trabalhados nas escolas pesquisadas estiveram relacionados diretamente com as utilidades apontadas para a Educação Física. Entre eles apareceram: aulas sobre saúde (osteoporose, Alzheimer, alcoolismo), aulas sobre inclusão de deficientes físicos, confecções de jogos com sucatas (o que acaba tornando uma possibilidade de trabalho devido à falta de materiais nas escolas), aulas com alongamentos para amenizar o cansaço dos discentes trabalhadores, jogos de quadra (com maior participação dos mais novos), aulas sobre possibilidades de lazer e outros conteúdos relacionados a datas comemorativas e eventos. Todos desenvolvidos em aulas práticas e teóricas.

            Como visto grandes são as possibilidades de intervenção na EJA, porém também semelhante é a quantidade de limites e empecilhos nas escolas pesquisadas.

            A falta de reconhecimento por parte do corpo pedagógico pela importância da Educação Física foi o principal obstáculo apontado pelos professores. A carga horária disponibilizada acaba sendo insuficiente em detrimento de um maior número de aulas reservadas para outras disciplinas consideradas mais importantes pelos demais sujeitos das instituições.

            Como já mencionado antes, a heterogeneidade, advinda de experiências diferentes, sobretudo devido à diversidade de idades, também acaba por ser tornar em algumas vezes um obstáculo para o desenvolvimento das aulas nas escolas pesquisadas, tudo devido ao conflito de interesses na aceitação dos conteúdos por parte dos alunos.

            Ao mesmo tempo em que foi apontado como uma possibilidade de intervenção, com alongamentos e atividades relaxantes, o fato dos alunos chegarem cansados dos seus empregos torna-se também uma dificuldade na aplicação de certos conteúdos, principalmente naqueles mais práticos e que acabam por demandar esforço físico.

            Soma-se a isso o fato de que em duas escolas (A e D) faltam recursos materiais para as aulas de Educação Física, ficando as mesmas muitas vezes subordinadas a materiais alternativos, ou a compra de outros materiais com recursos próprios dos professores da disciplina.

 

CONCLUSÃO

 

            Através dos dados obtidos durante a pesquisa de campo, foi possível perceber que muitos deles foram ao encontro daqueles apresentados pela literatura levantada, confirmando-os. Entre eles pode-se destacar principalmente a diversidade etária dos alunos e a heterogeneidade cultural desses discentes.

            Em contrapartida, temos indicadores para pensar que a motivação dos professores e alunos nas quatro escolas pesquisadas é maior do que se imaginava quando se analisa os dados apresentados em outros estudos sobre a EJA.   

            Também a crença por parte dos professores de que os alunos da EJA possuem condições plenas de crescimento pessoal e profissional é outro indicador que se confronta com as informações que se tinha até aquele momento. Um outro dado importante refere-se ao caráter instrumental variado do discurso legitimador da Educação Física na EJA engendrado pelos sujeitos da pesquisa.

            Alguns dados, porém, nos deram uma dimensão ainda maior do que se tinha em relação à Educação Física na Educação de Jovens e Adultos, evidenciando as dificuldades encontradas na legitimação dessa disciplina na EJA. Um deles reside no caráter auxiliar que a Educação Física assume nos discursos dos docentes e discentes frente a outros componentes curriculares. Somam-se a isso informações sobre os limites e possibilidades materiais para as aulas, a pouca clareza de quais conteúdos devem ser selecionados e como devem ser pedagogizados as relações interpessoais presentes.

            Assim, ainda que não seja possível generalizar os dados encontrados nesta investigação, temos elementos para pensar num campo positivo de possibilidades para o desenvolvimento da Educação Física na Educação de Jovens e Adultos. Isto reforça a percepção de carência de desenvolvimento teórico-metodológico que sustente uma prática pedagógica ajustada às peculiaridades deste segmento de ensino. Para isso novos estudos se fazem necessários a partir dessas primeiras aproximações com o objeto de análise. 

 

 

REFERÊNCIAS

 

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília. Senado Federal, 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ ... cao/constitui%C3%A7ao.htm. Acesso em: 04 de Abril de 2010.

BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Diário oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, 23 dez. 1996. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/CCIVIL/leis/L9394.htm. Acesso em: 04 de Abril de 2010.

CAMPOS, J.A; GOMES, M. Lugar das Práticas Corporais na Educação de Jovens e Adultos. In: XV Congresso Brasileiro de Ciências do Esporte e II Congresso Internacional de Ciências do Esporte, 2007. Pernambuco. Anais... Pernambuco, 2007.        1 CD-ROM.

CARVALHO, Rosa Malena. Educação Física Escolar e Educação de Jovens e Adultos. In: In: XVI Congresso Brasileiro de Ciências do esporte e III Congresso Internacional de Ciências do Esporte, 2009. Salvador. Anais... Niterói UFF, Departamento de Educação Física e Desportos, 2009.

PICAWY, M.M; Wandscheer, M.S.X. Educação de Jovens e Adultos: Uma análise pedagógica do texto legal. In: SCHEIBEL, Maria Fani; LEHENBAUER, Silvana (Org.). Reflexões sobre a Educação de Jovens e Adultos - EJA. Porto Alegre: Pallotti, 2006. P. 63 - 73.

RICHARDSON, R.J. Pesquisa Social. Métodos e Técnicas. 3ª. Ed. São Paulo: Atlas, 1999.

ROSARIO, Bruno Felix do. Educação Física no Ensino Noturno Regular/Educação de Jovens e Adultos: Dilemas e Perspectivas. 2007.76 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura em Educação Física). Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória, 2007.

TAVEIRA, E. B. Saberes de alunos e alunas do ensino regular noturno: questão para a escola?  In: ALVES, N.; GARCIA, R. L. (Org.). A invenção da escola a cada dia. Rio de Janeiro, DP&A editora, 2000.

Aron Vilete

Rua Cabo Ailson Simões, 87 – Centro – Vila Velha – ES

CEP: 29100-320

Email: aron.viletes@hotmail.com

Donaldson Thompson

Rua Rio Ipiranga, 63 – Bairro de Fátima – Serra – ES

CEP: 29160-558

Email: dodobf@gmail.com

 

Eduardo Viganor

Rua Engenheiro Manoel de Passos Barros, 89 – Mario Cypreste – Vitória – ES

CEP: 29000-000

Email: eduardoviganor@hotmail.com

 

Juliana Canuto

Rua Tancredo Neves, 11 – Vista da Penha – Vila Velha – ES

CEP: 29107-294

Email: julianacanutocl14@hotmail.com

 

Lorena Ferreira

Rua do Sossego, 634 – Porto de Santana – Cariacica – ES

CEP: 29153-175

Email: lorena_nferreira@hotmail.com

 

 

 

 

 

 



[1] Podemos citar entre eles o Movimento Brasileiro para a Alfabetização (MOBRAL), os telecursos, e os cursinhos supletivos

[2] Os professores não se encontram preparados especificamente para atuar na EJA, ou por falta de uma formação inicial de qualidade, já que muitas faculdades que formam os diversos licenciados não contemplam estudos sobre a educação de Jovens e Adultos, ou pela falta de uma formação continuada para tal ensino.



 

Programa de Educação Tutorial Física Física (CEFD-UFES)

Navegue pelos artigos
Prévia do artigo SILVA, O. G. T. ; VILETE, A. O. P. ; ROCHA, B. P. ; THOMPSON, D. R. ; SILVA, E. V. ; LORETE, J. C. ; ASSIS, L. C. ; FERREIRA, L. N. ; BARCELOS, M. ; MACHADO, M. F. ; GONCALVES, M. G. S. ; VALERIO, Q. B. S. ; FERREIRA, T. M. A. . Projeto Educação Física no Ar:um relato de experiência. 2011. (Apresentação de Trabalho/Congresso). DAMASCENO,L.G., SILVA,O.G.T, VILETE,A.O.P., ROCHA,B.P., THOMPSON,D.R., SILVA,E.V., LORETE,J.C., ASSIS,L.C., FERREIRA,L.N., BARCELOS,M., MACHADO,M.F.,GONÇALVES,M.G.S., VALÉRIO,Q.B.S., FERREIRA,T.M.A. Uma metodologia diferenciada para o ensino dos esportes coletivos de quadra para crianças. In: XI Congresso Espírito-Santense de Educação Física, 2011, Vitória - ES. XI Congresso Espírito-Santense de Educação Física, 2011. Próximo artigo
avaliação 0.00/5
avaliação: 0.0/5 (0 votos)
Os votos estão desabilitados!