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SCHNEIDER, O; LEPAUS, A. B; LORETE, J. C; BARCELOS, M; RUFINO, S. G; MACHADO, W. B; ALMEIDA, T. L; ALARCON, T. M. Experiencias educativas do Petef: a colonia de ferias como pratica de ensino. XVIII Congresso Brasileiro de Ciências do Esporte. Identidade da Educação Física e ciências dos esportes em tempos de megaeventos. Brasilia, DF, CONBRACE. 2013. (Apresentação de Trabalho)

EXPERIÊNCIAS EDUCATIVAS DO PETEF:

A COLÔNIA DE FÉRIAS COMO PRÁTICA DE ENSINO

 

 Omar Schneider

 Amanda Barcelos Lepaus

 Juliana Canuto Lorete

 Marciel Barcelos

 Sabrinny Gramilich Rufino

 Wérliton Benincá Machado

 Thais Lemos Almeida

 Thayse Mayan Alarcon

  

RESUMO

 

O estudo se configura como um momento em que se busca sistematizar as experiências acumuladas pelo Petef do CEFD – Ufes, em relação ao desenvolvimento do projeto de extensão Colônia de Férias na UFES. Esse projeto vem sendo desenvolvido desde o ano de 2008. Envolve os alunos do ensino fundamental, professores em formação dos cursos de Educação Física (bacharelado e licenciatura, e demais cursos da Ufes. Conclui que as atividades realizadas como oficinas, nas colônias de férias, constituem-se como experiências capazes de potencializar os saberes que cada estudante possui e acumulou durante sua formação. É um momento em que os voluntários-oficineiros podem atuar e significar os saberes distribuídos por meio das disciplinas cursadas na formação inicial.

PALAVRAS-CHAVE: Colônia de férias 1. Educação Física 2. Experiências educativas 3.

 

  

INTRODUÇÃO

 

O texto é sistematizado como um relato sobre um projeto de extensão e de ensino desenvolvido pelo Programa de Educação Tutorial em Educação Física (Petef) do Centro de Educação Física e Desportos (CEFD) da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) que busca apresentar as experiências acumuladas pelo grupo, as quais vem sendo realizadas desde o ano de 2008.2

O projeto Colônia de Férias na Ufes durante o seu período de realização, vem atraindo tanto alunos do ensino fundamental, quanto alunos graduandos dos cursos de Educação Física oferecidos pela Ufes. Com diferentes objetivos, esses participantes buscam se envolver nas atividades realizadas no projeto. É sobre esses objetivos que tratamos neste texto, tendo como referência a Teoria da Relação com Saber, desenvolvida por Bernard Charlot (2000), na obra Da relação com saber: elementos para uma teoria.

Para Charlot (2000), as teorias sociológicas vêm, há muito tempo, realizando uma leitura negativa sobre o processo de escolarização, desde teorias mais reconhecidas, como a produzida por Pierre Bourdieu em relação à reprodução, até as que se fundamentam no senso comum e que insistem em explicar as diferenças em termos de dons, enfatizando, quase sempre, o que os alunos não sabem, o que não conseguiram sistematizar e o que não aprenderam, ou seja, o que lhes falta.

A teoria da relação com o saber se contrapõe às teses reprodutivistas desenvolvidas, nos anos 1960 e 1970, por autores como Bourdieu e Passeron (1970), Baudelot e Establet (1971) e Bowles e Gintis (1976). Essas teorias, que abordam a questão da reprodução, têm por objetivo explicar como os alunos são levados a ocupar determinada posição no espaço escolar, principalmente por meio da ideia de que a origem social, as deficiências socioculturais e as diferenças de ordem econômica e de classe social seriam a causa do fracasso escolar (CHARLOT, 2000). A relação com o saber, da forma como é utilizada nos estudos de Charlot, abre frentes de trabalho para se pensar as possibilidades da passagem de uma leitura negativa para uma leitura positiva, buscando problematizar e aprofundar as relações que os alunos estabelecem com os saberes.

Conforme Charlot (2000, p. 30), “[...] praticar uma leitura positiva4 é prestar atenção também ao que as pessoas fazem, conseguem, têm e são e não somente àquilo em que elas falham e às suas carências”. Para o autor, essa forma de inquirir a realidade “[...] é antes de tudo uma postura epistemológica e metodológica” (CHARLOT, 2000, p. 30). Essa nova postura do pesquisador ante a realidade escolar proporciona que se interrogue não somente pelos conhecimentos adquiridos e supostamente não adquiridos (as carências), mas também se leia de “[...] uma outra maneira o que é lido como falta pela leitura mais negativa” (CHARLOT, 2000, p. 30).

Para Charlot (2005), o aprendizado somente ocorre se o sujeito aceitar ser educado. Portanto, se ele não investir pessoalmente no processo que o educa, não há educação. Portanto, deve ocorrer uma mobilização em que busque o indivíduo busca realizar atividades que façam sentido para sua vida, que o mobilizem, e isso são variáveis que não devem ser esquecidas quando se trata do acesso às aprendizagens. Segundo Charlot (2001, p. 47), "[...] talvez o pouco valor que os jovens conferem ao aprendizado de conteúdos curriculares não seja resultante do seu 'desinteresse', e sim, da sua dificuldade em encontrar um 'sentido' para aquilo que os professores ensinam". É nesse sentido que compreendemos a relação com o saber, como um processo de atribuição de sentidos ao que se conhece, para que se passe da experiência para o conhecimento. Essa é uma atividade que não se faz sozinho, mas em contato com o outro ou na resolução de problemas apresentados pelo cotidiano. O projeto Colônia de Férias na Ufes configura-se como um meio que permite aos alunos do Curso de Educação Física exercitarem suas experiências e as converterem em conhecimento.

As colônias de férias nem sempre tiveram esse caráter educativo. Elas já foram chamadas de colônias de repouso. Esse modelo surgiu com o intuito de proporcionar o descanso para os trabalhadores durante suas férias, depois de um exaustivo ano de trabalho. Essas colônias de férias aconteciam normalmente em pousadas localizadas na região de montanhas, mas também eram realizadas em locais próximos ao mar, longe de grandes centros urbanos, de forma a proporcionar repouso total ao trabalhador. Eram voltadas para pessoas de ambos os sexos e para as famílias. Umas das restrição exigidas era não possuir nenhum tipo de doenças infectocontagiosas.

No início do século XX, surgiram, também, as colônias educacionais, as quais eram voltadas para crianças e jovens, sem diferenciação de classe social. As crianças de seis a dez anos ficavam nas colônias infantis e acima dessa idade – a partir de 11 anos – eram submetidas às colônias de adolescentes, com atividades diferentes das colônias infantis. Essas colônias tinham finalidade educacional, logo suas atividades eram voltadas para se combater o analfabetismo e ensinar a adquirir hábitos de higiene. As crianças e adolescentes frequentavam essas colônias com o intuito de não ficar com o tempo ocioso.

Em revistas sobre Educação e Educação Física6 que circularam entre os anos de 1930 e 1940, é possível localizar informações sobre o desenvolvimento dessa prática educativa. Naquele momento, como não poderia deixar de ser, a discussão realizada sobre as Colônias de

Férias estava intimamente direcionada para a resolução dos problemas relativos à saúde. As atividades realizadas tinham o discurso médico como fundamento. Acreditava-se que as atividades recreativas deveriam ter um caráter higiênico, sanitário e patriótico. Desse modo, as práticas recreativas oferecidas buscavam restituir aos participantes as energias despendidas durante o período letivo para devolvê-los com a saúde revigorada à sociedade.

Para garantir que as atividades realizadas efetivamente tivessem seus efeitos nos , investia-se na alimentação dos estudantes e em instrumentos que pudessem controlar a saúde deles, como fichas de avaliação e controle de peso adquirido ou perdido durante o período de participação nas atividades realizadas.

O que se percebe ao ler os textos, é que eles buscavam relatar as experiências sobre o desenvolvimento das colônias de férias. As atividades eram ministradas por militares e supervisionadas por pessoas ligadas à área médica, como os próprios médicos e as educadoras sanitárias.

Os saberes que determinavam as práticas que deveriam ser ofertadas provinham da instituição militar e médica e tinham relação com o contexto político vivenciado nas quatro primeiras décadas do século XX no Brasil. Nas décadas seguintes, com as críticas aos modelos estabelecidos, houve um investimento na realização das colônias de férias tendo como fundamento as práticas de lazer, situação evidenciada por Lazzarotti Filho et al. (2000) sobre a forma como as atividades eram empregadas. Segundo o autor, as colônias tinham como função compensatória, em que não havia práticas educativas, mas interesse em resguardar a segurança social das crianças e operar como válvula de escape das situações de risco em que as crianças e adolescentes poderiam estar submetidas. Outra questão recai sobre as possibilidades de diminuição da presença de meninos e meninas nas ruas das cidades, o que o Poder Público buscava, segundo o autor, esconder.

O projeto de extensão desenvolvido pelo Petef assume, como possibilidade de trabalho, outro caminho teórico e metodológico, tanto em função do público atendido e dos alunos ou professores em formação, quanto em relação às especificidades dos objetivos estabelecidos para o programa.

 

 

COLÔNIA DE FÉRIAS DO PETEF: RELATO DE EXPERIÊNCIAS

 

O objetivo da colônia, para as crianças envolvidas, é proporcionar a ampliação de suas experiências, conhecimentos e saberes a partir de suas potencialidades, por meio de atividades que promovam a integração, a socialização e o desenvolvimento cognitivo, afetivo e motor, de modo prazeroso e lúdico. A forma utilizada para atingir os objetivos propostos é a prática de atividades físicas, jogos e brincadeiras, a fim de desenvolver ações que fomentem o sentimento de identidade e integração entre os participantes.

Em relação aos alunos do Curso de Educação Física, também chamados de professores em formação (bolsistas do Petef e voluntários-oficineiros), o objetivo principal é possibilitar a experiência da docência durante as oficinas e a prática do exercício organizacional de uma colônia de férias, com o intuito de ressignificar o tempo de férias escolares com momentos lúdicos, com referências relacionadas com o lazer, incentivando as crianças a compreender e a respeitar opiniões e pontos de vista diversos, como também as diferenças culturais e pessoais.

Com o sucesso da colônia nos últimos cinco anos, houve um aumento quantitativo de crianças com interesse em participar. Com isso o projeto sofreu algumas alterações, tais como: o aumento da quantidade de vagas, passando de 50 para 75 participantes, com idades entre 6 e 12 anos, contemplando as crianças pertencentes aos bairros próximos à Ufes, aumentamos também o tempo de duração da colônia, passando de dois para três dias, e acrescentamos outras atividades, além de expandir a participação de voluntários de outros cursos da Ufes. Vale ressaltar que, para não prejudicar a qualidade do evento, restringimos o número de crianças, em função da capacidade do espaço físico e da quantidade de voluntários.

Para a organização da colônia e o desenvolvimento do projeto, foram definidas as seguintes comissões: Comissão de Divulgação, Comissão de Relações com a Graduação, Comissão de Programação e Comissão de Materiais, além de cada edição possuir um petiano como coordenador -geral.

Metodologicamente, após a divisão das comissões, começa-se o processo de seleção das oficinas e dos voluntários. Os voluntários candidatos a oficineiros, para desenvolversuas ações durante a execução do projeto, devem produzir um plano de atividades de acordo com a faixa etária das crianças, as quais são separadas em três grupos. As atividades projetadas para cada grupo devem ser executadas em um período de uma hora (horário de duração da oficina).

Para participar das atividades as crianças são divididas por idades. Foram criados três grupos, de 6-8, 8-10, 11-12 anos. As oficinas ofertadas, que podem ser realizadas em diferentes formatos, como danças, ginásticas, paint ball, jogos aquáticos, futebol, conta contos, produção de mascaras, lutas, gincanas etc., são distribuídas de forma que todos os grupos (de 20 a 25 crianças em cada uma) possam vivenciar as atividades durante os três dias. Nos intervalos das oficinas, ocorrem lanches, almoço no restaurante universitário, oportunizando momentos de interação entre os três grupos.

No último dia da colônia de férias, realizamos uma gincana, redistribuindo as crianças em cinco grupos, considerando todas as idades. As atividades promovidas durante a gincana têm o objetivo de integrar o maior número de crianças, para as quais são criados gritos de guerra e cartazes. Também e são realizadas diversas brincadeiras populares, e todas as equipes ganham prêmios de participação.

Durante todos os dias de realização da colônia, ocorre o registro das atividades por meio de fotografia e filmagem. Após a quinta colônia de férias, o grupo Petef passou a coletar dados dos participantes. Foi utilizado um questionário semiestruturado, aplicado aos pais, às crianças e aos voluntários-oficineiros. Com essa ação de registro, buscamos compreender a importância da Colônia de Férias na Ufes para os participantes.

O questionário aplicado aos grupos possui diferenças significativas. Para as crianças, foram feitas perguntas e gravadas as respostas. Para os pais, foram enviados os questionários por e-mail e a devolução das respostas também foi feita pelo mesmo sistema. Já para os voluntários-oficineiros, por serem alunos do Curso de Educação Física, foi aplicado o instrumento de modo que eles pudessem redigir as respostas, articulando de forma escrita os sentidos atribuídos à colônia de férias, as contribuições que ela oferecia à sua formação, a forma como eles articularam as aprendizagens das aulas do curso ao desenvolvimento das oficinas e as sugestões que poderiam oferecer para a continuidade do projeto.

Uma das repostas oferecidas à questão, que motivava o voluntário-oficineiro a pensar sobre os estudos que desenvolvia no curso e o oferecimento de atividades na colônia de férias, faz-nos, perceber que para eles, a colônia de férias permite que testem o exercício da docência ao praticar, como um estágio, os saberes em uma situação concreta, aplicando o que estudam teoricamente nas disciplinas. Assim, para o voluntário-oficineiro 1, a “A colônia de férias nos permite vivenciar a prática docente, analisar os conhecimentos adquiridos na formação e sua aplicação na prática. Contribui para nossa formação porque assim como nos estágios, nos permite analisar nossa prática”. Em outra entrevista, o voluntário-oficineiro 2 chega a uma conclusão bem próxima. Para ele, a colônia de férias oferecida pelo Petef é

[...] um momento importante porque a gente tem a possibilidade de trazer conhecimentos e demandas que a gente tem durante a formação, e que, às vezes, não tem um espaço e, na colônia de férias, a gente pode experimentar, porque nesse momento a gente tá se formando como professor e é um processo de formação.

No mesmo sentido, o voluntário-oficineiro 4 afirma que a colônia contribui na sua formação, uma vez que permite o exercício da docência e o enfrentamento de situações concretas. Para ele:

A colônia contribuiu de maneira significativa na minha formação. Poder exercer o ser professor foi ótimo, inicialmente com certa dificuldade para fazer a transposição e, assim, atingir meus objetivos e proporcionar às crianças um momento prazeroso. A maior contribuição foi esta: problematizar e criar formas diferentes para ministrar as oficinas.

Nas discussões sobre a relação com o saber, Charlot (2005) afirma que o aprendizado somente ocorre quando o sujeito se permite ser educado, quando há o investimento pessoal no processo que o educa, produzindo sentidos para as suas experiências escolares. Para o autor (2001), o pouco sentido que os jovens atribuem às suas experiências talvez esteja na dificuldade de atribuir significado ao que os professores ensinam. Desse modo, a colônia de férias vem se constituindo em um espaço em que o aluno pode exercitar o ser professor, refletindo e tomando decisões sobre as melhores formas de ministrar para outros o que antes havia sido aprendido nas aulas. Não é um processo simples esse que o voluntário-oficineiro se vê envolvido. As crianças para as quais prepara as atividades possuem diferentes faixas etárias e provêm de diferentes contextos socioculturais. Ele deve, então, organizar sua linguagem e as atividades perspectivando vários grupos com níveis diferentes de atenção e respostas às suas intervenções.

Em relação às crianças, foi possível perceber, em suas narrativas sobre a colônia, que, para elas, o momento se constitui em um espaço em que podem brincar, fazer amizades e experimentar novas atividades. Existe um encantamento pelas atividades oferecidas, pois as respostas ao questionário estão fundamentalmente voltadas para os jogos e brincadeiras realizadas. Possivelmente, tal fato ocorre pela diversidade de experiências que as atividades da colônia proporcionam nos três dias em que é oferecida. As crianças são mobilizadas constantemente pelos voluntários-oficineiros para participar nos grupos e manter relações com outras crianças. Ela são estimuladas a desenvolver a capacidade de se relacionar em grupo e individualmente com as atividades realizadas, aprendendo a lidar com os saberes relacionais.

Para Charlot (2000, p. 66) os saberes relacionais, em sua expressão na aprendizagem, configuram-se como uma “[...] figura do aprender que se manifesta em dispositivos relacionais, como saber se portar socialmente, os quais só podem ser apropriados na relação com o outro”.

Quando questionados sobre o que aprenderam na colônia uma das respostas que chama a atenção é a da criança C, que admite em sua fala: “Aprendi varias coisas, que a gente tem que se ajudar, trabalhar juntos”. Para Charlot (2000), o saber relacional vem sendo menosprezado no processo de ensino como algo menor, mas possivelmente das aprendizagens seja aquele que mais marca as crianças nos processo de socialização. De acordo com o autor, esse conhecimento deve ser estimulado, pois é uma necessidade contemporânea “[...] aprender a ser solidário, desconfiado, responsável, paciente [...], a mentir, a brigar, a ajudar os outros” (CHARLOT, 2000, p. 70).

Para os pais das crianças, quando questionados sobre o significado da colônia de férias, o momento é considerado como um período em que é possível preencher o tempo ocioso das crianças. Sugerem que mais dias devem ser reservados para a realização da colônia de férias. Não há, portanto, a percepção do caráter educativo do evento. A colônia é vista como um momento de recreação, mas sem outras atribuições de sentidos.

Acreditamos que devemos investir mais na formação dos pais e até propor atividades das quais eles possam participar, para que seja possível desenvolver com eles outras representações a respeito do espaço formativo que o projeto vem desempenhando, uma vez que o sentido atribuído por eles ainda se relaciona com ideias ultrapassadas de a colônia de férias ser um momento apenas de preenchimento de um tempo ocioso com brincadeiras, considerando as atividades oferecidas como lazer, do tipo “compensatório” e não como formativas da sensibilidade por meio dos jogos e atividades lúdicas.

 

 

CONCLUSÕES

As narrativas dos participantes indiciam a satisfação dos envolvidos na colônia. Analisando as respostas das crianças, observamos que o interesse delas está associado às atividades com as quais já possuem afinidade e com novas experiências, além de fazerem novas amizades que podem ou não ser duradouras (para além da colônia). Para os pais, esse é um momento em que a criança pode praticar alguma atividade nas férias. Já os voluntários-oficineiros pensam que esse é um momento em que eles podem pôr em prática tudo que aprenderam ao longo do Curso de Educação Física e suas experiências anteriores ao curso e, assim, experimentar a docência e formar uma identidade profissional, relacionando o saber teórico com o prático.

As respostas reafirmam a necessidade da continuidade do projeto de extensão realizado pelo Petef, uma vez que as diretrizes que fundamentam as atividades de intervenção dos grupos PET preveem que suas ações devem se pautadas pela ideia de uma formação global que deve ser direcionada, para os bolsistas, mas também objetiva proporcionar uma melhor formação dos alunos do curso em que um grupo é formado.

O projeto de extensão Colônia de Férias na Ufes, desenvolvido pelo Petef, procura oportunizar aos alunos da graduação em Educação Física (licenciatura e bacharelado) e demais envolvidos a capacidade de trabalho em equipe, facilitando a compreensão das características e dinâmicas individuais, bem como a percepção da responsabilidade coletiva e do compromisso social. Esses são saberes muito valorizados na contemporaneidade e que devem ser desenvolvidos durante a formação dos professores. O modelo de colônia de férias organizada pelo Petef trabalha para que essas características sejam disseminadas, o que significa a ampliação da perspectiva educacional, uma vez que os professores em formação deixam a condição qualidade de alunos e passam a atuar como docentes, ressignificando suas práticas e experiências sociocorporais relacionadas com o esporte, a dança aos jogos e à cultura popular.

Como podemos perceber, diferente das colônias de repouso e educacionais ofertadas por médicos e militares em meados do século XX, que eram voltadas principalmente para a higienização e promoção da saúde dos participantes, a colônia proposta pelo Petef busca a ampliação das experiências, conhecimentos e saberes, por meio de atividades que possam promover a integração, a socialização e o desenvolvimento cognitivo e motor das crianças, de forma prazerosa e lúdica. A colônia de férias é projetada como um meio eficaz para que os alunos dos cursos de Educação Física possam aplicar as aprendizagens que vem sendo realizadas em sua formação e vivenciar a docência nas oficinas que eles desenvolvem. Dessa forma, com base nas discussões realizadas, concluímos que as atividades realizadas como oficinas, nas Colônias de Férias na Ufes, constituem-se como experiências capazes de potencializar os saberes que cada estudante possui e acumula durante a sua formação.

 

 

 

 

EDUCATIVE EXPERIENCES OF PETEF: THE SUMMER CAMP AS TEACHING PRACTICE

ABSTRACT

The study is configured as a moment when is sought to systematize the experiences accumulated by the PETEF CEFD - UFES regarding the development of the extension project in UFES Summer Camp. This project has been in development since 2008, involves elementary students, teachers in formation courses in Physical Education (bachelor's and graduate) and other courses at UFES. We conclude that activities such as workshops, in Summer Camps, consist as experiences able to enhance the knowledge that each student has accumulated during its formation and is a time that workshop volunteers can act and to mean the knowledge distributed through the subjects taken in the initial training. KEYWORDS: Summer Camp 1. Physical Education 2. Educative Experiences 3.

 

EXPERIENCIAS EDUCATIVAS DEL PETEF:

LA COLONIA DE VACACIONES COMO PRÁCTICA DE ENSEÑANZA RESUMEN

El estudio se configura como un momento por la buscar en sistematizar las experiencias acumuladas por el PETEF del CEFD - UFES en relación al desarrollo del proyecto de extensión Colonia de Vacaciones en la UFES. Ese proyecto, que viene siendo desarrollado desde el año 2008, envuelve los alumnos de la enseñanza fundamental, profesores en formación de los cursos de Educación Física (licenciado y licenciatura), y demás cursos de la UFES. Concluimos que las actividades realizadas como talleres, en las Colonias de vacaciones, se constituyen como experiencias capaces de potencializar los saberes que cada estudiante posee y acumuló durante su formación y es un momento en que estos voluntarios - de talleres - pueden actuar y significar los saberes distribuidos por medio de las asignaturas cursadas en la formación inicial. PALABRAS-CLAVE: Colonia de vacaciones 1. Educación Física 2. Experiencias educativas 3

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Programa de Educação Tutorial Física Física (CEFD-UFES)

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Prévia do artigo ROCHA, B. P., LEPAUS, A. B., LORETE, J. C., FERREIRA, L. N., BARCELOS, M., MACHADO, M. F., SILVA, O. G. T., SCHNEIDER, O., GRAMILICH, S. R., FERREIRA, T. M. A., MACHADO, W. B. Colônia de férias do PET-CEFD: experiências educativas. In: IV Congresso Sudeste de Ciências do Esporte / XII Congresso Espirito Santense de Educação Física, 2012, Vitória. Educação Física, Identidade e Campo de Atuação. Rio de Janeiro: CBCE, 2012. v.1. p.1 - 8
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